Remuneração: além das práticas habituais

Remuneração: além das práticas habituais

    A remuneração flexível \ variável foi criada por pelo menos duas razões: diminuir os custos fixos e aumentar a produtividade recompensada. O Brasil tem uma legislação avançada, que coloca os entendimentos que viabilizem esse propósito nas mãos das empresas e sindicatos. Tal prática já é adotada desde a década de 1990.

      Vejo nos acordos sindicais, por exemplo,  uma inadequada inclusão de PLR como garantia, e até mesmo com valores definidos. Servem para fechar acordo, mas será que geram aumento da produtividade do trabalho? A indústria automobilística, então, é mestra nisso. Certamente um mau uso político que parece satisfazer as partes. O que dizem as pesquisas sobre essa inteligente inovação tupiniquim?

     Há outra contradição na gestão do ambiente remuneratório que é a a maneira como se relacionam às diferentes práticas de remuneração considerada a empresa-total, começando  pela diferença de critérios. Bônus generosos contrapõem-se ao rigor nos custos para o restante da população empregada. Então, em que estamos contribuindo para a discussão sobre políticas de renda na sociedade como um todo?

     O Brasil, já sabemos, é muito desigual, especialmente em remuneração. Em outros países, a distância entre salários mais altos e mais baixos é muito menor que a nossa. Estamos convivendo com isso passivamente? Num cenário fortemente politizado, a criação de uma classe C mais expressiva dá-se mais por políticas assistencialistas, tipo bolsa-família e seus sucedâneos, do que por um debate sobre a participação do trabalho na produtividade nacional e suas consequências em termos de renda.

     Se for mesmo verdade que a curva salarial cresce mais que a de outros insumos, o que poderia gerar inflação?  Por que não a associar ao aumento de sua produtividade?

      Existe ainda uma discussão no âmbito regulatório sobre incidência de taxação sobre remuneração (vide a sanha do INSS). Cada vez  mais ônus.  E nem só sobre taxação. A pauta do congresso abriga verdadeiras aberrações populistas. Basta ler as pautas da semana editadas pelo Corhale (ABRH) para se encontrar projetos que sempre reduzem as cargas horárias de determinadas profissões, sob argumentos que não se sustentam nem em debate no nível colegial.

     Recentemente, proibiu-se a inclusão de programas de incentivo à Segurança do Trabalho nas fórmulas da PLR.  Qual a relação custo-benefício?  Cria-se uma lei para tudo, quando a sociedade já está suficientemente madura para absorver, em determinadas necessidades, acordos entre partes interessadas sem a eterna e corroída intervenção do Estado. A CLT tem 70 anos!

      As práticas da tão necessária terceirização também esbarram em “terceirizar para pagar menos” e tentativas de isonomias salariais e de benefícios.  Sim, é preciso avançar no equilíbrio dos relacionamentos e evitar empregados de segunda classe, mas lutar conta a terceirização é um retrocesso histórico.

     A participação dos Tribunais de Justiça e também das Procuradorias do Trabalho interpretando ferreamente suas missões constitucionais, têm demonstrado, com frequência, postura conservadora, muitas vezes paternalista, equivocadamente sob o pretexto de defender os mais fracos. O establishment, no entanto, tem dificuldades em aflorar um debate consciente, onde o Direito Social e o novo capitalismo possam se encontrar.

   Os profissionais de Recursos Humanos precisam “sair da caixa” e desprender-se também da tutela das consultorias, que são muito eficientes em estabelecer lógicas de remuneração dentro das empresas, mas não se sentem com obrigação de influenciar o cenário macro da produtividade do trabalho e suas recompensas. Preferem a abordagem processualística.

    Falamos muito em protagonismo de RH. Não está na hora de assumirmos uma liderança do ponto de vista  de gestão de nosso capital humano?

Texto extraído do site: http://blogsmelhor.com.br/blogluizaugusto/

HR Hunter, Consultoria de Recursos Humanos do Rio de Janeiro, tem como expertise: Recrutamento e Seleção, Treinamento Comportamental, Plano de Cargos e Salários, Pesquisa de Clima e Coaching.