Grosseria

Grosseria

Ambiente descortês no trabalho é tão comum que em muitas empresas ficou normal, as pessoas nem se tocam mais, é aquele clima do bateu levou. E esse bateu levou tem múltiplas formas de ser revidado. Sabemos de situações em que a grosseria do chefe foi tão intempestiva que o funcionário ofendido respondeu a agressão na hora, ele resolveu não levar desaforo para casa. Em outros casos de grosseria o revide vem sem alarde, caladinho. Ele se instala na conduta do funcionário que intencionalmente passa a se esforçar menos ou diminuir o tempo que passa na empresa. Ainda tem a situação em que o funcionário derruba a qualidade do que fazia ou resolve reclamar com o colega tentando miná-lo – intencionalmente ele queria apoio para colocar todos contra o chefe. Observamos também que colegas que testemunharam situações de grosseria do chefe, desconfiados, passaram a ter um comportamento menos colaborativo com a empresa, perderam o interesse e passaram a dar menos valor ao emprego. Há também aqueles casos em que o funcionário procura evitar contato com o chefe, se esconde sempre que percebe a sua presença. E quando o funcionário resolve descontar sua ira no cliente? Recentemente eu estava num boteco-restaurante desses bem na moda hoje em dia e um simples pedido de petisco, principal bandeira de consumo do estabelecimento, demorou mais de quarenta minutos para ser servido, meio impaciente perguntei duas vezes ao garçom por que estava demorando tanto. Ele provavelmente querendo proteger a casa, somente depois da segunda reclamação revelou que o pessoal da cozinha estava com problemas com o dono. A verdade é que todas as situações são péssimas para a empresa e o final quase sempre é previsível – ou o funcionário pede demissão ou a provoca até ser mandado embora e enquanto as coisas não se acertam os problemas vão se avolumando. Os reflexos aparentemente intangíveis dependendo do tempo de reação da empresa para identificá-los e acionar o seu plano de ação-combate podem ser catastróficos, e em alguns casos muito tardios. Os clientes desaparecem rapidamente. A coisa é tão sensível que o simples fato de um funcionário repreender seu colega em público afasta o cliente, não importando para isso se ele tinha ou não razão. Essas situações quase sempre criam um clima de constrangimento que o cliente vai lembrar toda vez que entrar naquele estabelecimento. Estudos mostram que o pessoal de RH responsável pelo clima de satisfação interna das empresas gasta muito tempo – semanas por ano, tentando reparar as relações pouco amistosas entre colegas e subordinados com seus chefes. É sabido que a construção de um ambiente amigável, cortez, independente do tamanho da organização não é tão simples, ele começa pelo comportamento do dono passando pelos principais gestores e chegando até o mais modesto colaborador. Manter o clima de alegria e prazer exige vigilância constante e qualquer vacilo, a grosseria se reinstala. Se sabemos que quem dá o tom é o líder, qualquer atitude diferente, mais rude, menos gentil vai repercutir imediatamente no ambiente. Nesse caso quem manda deve gostar de gente, deve gostar de se relacionar com pessoas, deve ser compreensível e ter boas doses de tolerância a mais. Daí é que se tira o primeiro exemplo a ser seguido. Pesquisas mostram que muitos subordinados tratavam as pessoas de maneira mais hostil porque se espelharam nos seus chefes que eram rudes. Muitos executivos de empresas grandes sabendo dos riscos que um comportamento inadequado representa para seu negócio, de tempos em tempos utilizam consultorias externas para fazer pesquisas buscando avaliar a conduta dos seus funcionários e até mesmo a satisfação de seus clientes. Com isso eles conseguem um resultado bem próximo do ambiente em que sua empresa vive. Em alguns casos até se surpreendem com as informações colhidas sobre o comportamento de um ou outro chefe e suas equipes. Outro meio de descobrir é o próprio chefe tentando ouvir as pessoas. Em muitos casos quando o chefe demonstra que quer mudar, funciona. Em algumas empresas onde foi constatada a grosseria como padrão de comportamento, chegou-se a recompensar o bom comportamento. Instalou-se um big brother e sempre que alguém era “flagrado” pela câmera se portando bem, corretamente dentro dos padrões da empresa, se candidatava a receber um bônus em dinheiro ou um elogio em público, podendo até a aumentar o seu prêmio na reincidência positiva. Para encerrar, podemos garantir que é um pensamento equivocado alguém achar bobagem premiar o bom comportamento e achar que a gentileza não se estimula. Está provado que quanto mais justas e gentis as lideranças, mais colaboração haverá entre os funcionários e melhores serão os resultados.

Ubiratan Ferrari Bonino

HR Hunter, Consultoria de Recursos Humanos do Rio de Janeiro, tem como expertise: Recrutamento e Seleção, Treinamento Comportamental, Plano de Cargos e Salários, Pesquisa de Clima e Coaching.