Pesquisa aponta nove áreas com aumento na oferta de trabalho

Henrique Moraes

Estudo indicou expressiva demanda por profissionais que atuam em ramos como engenharia, compras, comercial, gestão de qualidade e tecnologia da informação.

Supervisor de produção em indústrias de transformação de plástico; engenheiro do petróleo; técnico em sistema de informação; trabalhador de tratamento de superfícies de metais e compósitos; engenheiro de mobilidade; técnico em mecatrônica; biotecnologista; engenheiro ambiental e sanitário e, por fim, desenhista técnico em eletricidade, eletrônica e eletromecânica. Estas são as nove profissões do futuro segundo estudo recente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) que ouviu, em fevereiro, 402 empresas brasileiras que empregam 2,2 milhões de pessoas,  representando indústrias extrativa, de transformação e da construção civil.

A pesquisa “Perspectivas Estruturais do Mercado de Trabalho na Indústria Brasileira – 2020”, feita pela Diretoria de Desenvolvimento Econômico e Associativo da Firjan, identificou que a maioria dos empresários brasileiros tem pretensão de aumentar o quadro de funcionários até 2020.

O estudo não apontou a quantidade de postos de trabalho que devem ser abertos, mas revelou que a demanda promete ser maior por profissionais que atuam em ramos como engenharia, compras, comercial, gestão de qualidade e tecnologia da informação.

Segundo a gerente de Pesquisa e Estatística da Firjan, Hilda Alves, não houve prognóstico de redução do efetivo de empregados para nenhuma das 246 profissões consideradas pela pesquisa.

“Na área de Produção, quase 67% dos entrevistados pretendem oferecer novos postos de trabalho, enquanto 51,1% do empresariado planeja ampliar o número de funcionários da área de gestão”, informa.

A gerente de pesquisa da Firjan diz que as projeções de contratações foram predominantes em todos os segmentos da área de produção, mas enfatiza que a procura será maior por profissionais com, pelo menos, um curso técnico.

“O mercado está aquecido, mas ao mesmo tempo exigente. O profissional com nível superior não pode parar de estudar. O engenheiro do petróleo que quiser atuar no setor de pesquisa, por exemplo, vai precisar de uma pós em sua área. Para cargos de gerenciamento, o mercado está cobrando alguém com mestrado e doutorado”, orienta.

“Já para o operário, não vai bastar apenas ter o nível fundamental. Terá de ter um curso técnico”, diz ainda a especialista.

Topo – Sobre o fato da pesquisa apontar um expressivo aumento na oferta de postos de trabalho para o supervisor de produção em indústrias de transformação de plástico, que está no topo da lista das profissões do futuro, Luis Arruda, gerente executivo do Sesi/Senai Maracanã, argumenta que é devido à ligação com a indústria automotiva.

“Área do plástico está associada à crescente demanda por componentes plásticos nas indústrias automotivas”, diz.

Engenharia de Petróleo é uma das mais promissoras

Segundo o coordenador do curso de Engenharia de Petróleo da PUC-Rio, Arthur Braga, o engenheiro do petróleo – que na pesquisa está na segunda colocação entre as profissões mais requisitadas até 2020 – se quiser atuar no setor de pesquisa, vai precisar de um mestrado ou de um doutorado.

“O setor de petróleo no Brasil está bastante aquecido. Além da Petrobras, diversas operadoras e companhias de serviço internacionais estão se instalando no País montando centros de pesquisa na qual estão precisando de profissionais cada vez mais capacitados”, argumenta.

De acordo com Samuel Pinheiro, dono da Petrocenter, escola técnica de petróleo e gás, a produção deste setor irá triplicar no Brasil até 2020.

“Pesquisa recente divulgada pela Petrobras aponta isso. Hoje o pré-sal é visto como o principal vetor para o crescimento da próxima década”, comenta Pinheiro.

O Diretor da Petrocenter, que há cinco anos vem formando profissionais para a área de petróleo e gás, avalia o mercado de petróleo como amplo, uma vez que engloba diversos setores da economia.

“A cadeia de petróleo e gás abrange os setores de exploração e produção, além das atividades de transporte, refino e distribuição. Nestes processos utilizam-se materiais complexos (equipamentos de refino, dutos, maquinário específico, etc) e serviços especializados de engenharia (automação, manutenção, entre outros)”, explica.

Descompasso – Luis Arruda, gerente executivo do Sesi/Senai Maracanã, diz que apesar da ampliação das estratégias de formação profissional, como é o caso de cursos superiores e técnicos, elas estão em descompasso com o volume de investimentos públicos e privados no País.

“Há 10 anos, por exemplo, as escolas técnicas e as universidades tiveram grande redução de oferta de vagas para cursos na área industrial, pois noticiava que o futuro do País seria a área de serviços”, analisa.

Segundo ainda Arruda, as iniciativas que vêm sendo adotadas para reduzir este déficit ainda precisarão de tempo para se consolidar.

“Um engenheiro para ser formado necessita de oito anos de estudo para, depois, conquistar uma vaga de início de carreira. Para formar um profissional mais sênior, ele precisará ainda de cerca de dois anos de especialização e de experiência profissional”, detalha. “O que presenciamos hoje é o mercado de trabalho exigindo um perfil de profissional com maior capacitação”, complementa o gerente executivo do Senai.

Área ambiental está em alta

Quando olhamos as profissões mais cotadas, vemos que são específicas de setores que estão crescendo, como o de petróleo, de plástico e os ligados à mobilidade. Há também outras profissões em alta, que são as chamadas transversais. São atividades que vão atender a vários segmentos das indústrias, como a Engenharia Ambiental.

“Toda indústria, para se instalar, precisa de uma licença ambiental. Por isso, essa profissão permeia várias atividades. Isso também vale para a área de Tecnologia da Informação. Essa é uma área que, além de já estar em crescimento, atende a todos os setores”, explica a gerente de Pesquisa e Estatística da Firjan, Hilda Alves.

Segundo Sheila Franklin, coordenadora do curso de Gestão Ambiental do Centro Universitário Plínio Leite (Unipli), a área ambiental atrai cada vez mais adeptos. “Com o crescimento do setor industrial e dos centros urbanos é notória a inserção destes profissionais cada vez mais no mercado de trabalho. A tendência é um crescimento da oferta, principalmente devido ao fato do curso de Gestão Ambiental ser de curta duração (dois anos). O que reduz de forma significativa os riscos de evasão escolar”, informa.

Inscrições – As inscrições para o 6º ciclo de seleção pública do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) podem ser feitas até o próximo dia 12. No Rio de Janeiro são oferecidas 4.602 vagas em cursos gratuitos voltados para o setor de petróleo e gás. Mais informações no site www.prominp.com.br.

HR Hunter, Consultoria de Recursos Humanos do Rio de Janeiro, tem como expertise: Recrutamento e Seleção, Treinamento Comportamental, Plano de Cargos e Salários, Pesquisa de Clima e Coaching.