Uma seleção conduzida com tranqüilidade

Por mais que domine as desejadas competências requisitadas pelo mercado, sejam essas técnicas ou comportamentais, quando um profissional busca uma nova colocação no mercado e participa de uma seleção, é normal que deixe transparecer alguns sinais de ansiedade. Afinal, o resultado do processo pode determinar o futuro de uma carreira e até mesmo a solução para problemas pessoais, afinal de contas ter “bolso vazio” assusta a qualquer um.

De acordo com Rosana Monteiro, psicóloga e analista de Recursos Humanos da Consultoria Horizonte RH, a ansiedade de um candidato durante um processo seletivo é comum porque esse momento pode ser visto pelo candidato como uma situação nova e como tal, pode gerar tensão pelo desconhecimento das etapas da seleção e dos pontos e fatores que serão avaliados.

Vale destacar que a ansiedade do candidato pode ser considerada tanto negativa quanto positiva. No primeiro caso, a tensão talvez seja uma expressão da falta de consciência das limitações, de pontos que precisam ser melhorados e até mesmo dos fatores que geraram a ansiedade no entrevistado. “A ansiedade torna-se positiva quando transformada em cautela e aguça os sentidos, deixando o aspirante ao cargo mais atento ao que escuta e responde”, afirma Rosana Monteiro.

Mas, que procedimentos um selecionador deve e pode adotar para que um bom candidato não seja prejudicado por um momento temporário de nervosismo quando a entrevista tem início? Existem situações em que uma conversa inicial e informal sobre algum assunto em destaque nos canais de comunicação ou apenas um comentário sobre o trânsito pode relaxar, descontrair o profissional. Esse pequeno tempo pode ser necessário para que a pessoa centre a respiração e perceba que o selecionador não é um terrível ‘bicho-papão’, é alguém comum e que carrega consigo sentimentos como qualquer indivíduo. Outro fator que pode driblar a ansiedade do concorrente à vaga oferecida é oferecer uma caneta, uma folha de papel em branco, pois inconscientemente o profissional poderá passar para o objeto certa descarga de tensão.

No entanto, se a inquietação do candidato por acentuada demais, ao ponto de fazê-lo paralisar e não escutar o que o selecionador indaga, o processo poderá ou não ser adiado e isso irá depender da pessoa que está à frente da seleção, se ela tem o hábito de marcar uma nova data para conversar com o profissional e, é óbvio, se o prazo para o preenchimento da vaga é pequeno e inviabilizará uma nova oportunidade, por mais que o candidato mereça. Para Rosana Monteiro, ao remarcar uma entrevista o selecionador não precisa aplicar alguma dinâmica diferenciada para o candidato que apresentou sinais de nervosismo.

“No caso de uma nova oportunidade, o profissional já teve a chance de reavaliar suas emoções e criar um artifício para conseguir controlar-se durante a entrevista. Se mesmo assim o nervosismo proceder, é indício de que o profissional não tem controle sobre sua ansiedade e, então, torna-se necessário verificar se tal comportamento por vir a interferir no desempenho de suas funções para o cargo em questão”, destaca a psicóloga, ao acrescentar que vários fatores podem contribuir para o estado emocional do candidato e não apenas a sua vontade de conquistar a tão desejada vaga oferecida pela empresa contratante. Ela cita, por exemplo, que a presença de um selecionador que tenha uma postura rígida, séria e pouco amistosa, pode fazer com que o candidato vivencie fantasias a respeito da seleção, gerando forte insegurança em se posicionar e como conseqüência, sua expressão poderá ser superficial, com medo de se mostrar e sofrer algum tipo de rejeição.

Rosana Monteiro afirma que caso o selecionador encontre-se estressado, por exemplo, é aconselhável que esse seja substituído por outro profissional qualificado para conduzir o processo seletivo. Afinal, uma pessoa sob a influência do estresse fica mais vulnerável a estímulos externos e o seu humor poderá influenciar na condução da seleção. O selecionador, afirma ela, precisa também estar atento às suas limitações, para que o trabalho seja conduzido com total imparcialidade.

O ambiente da entrevista – Além da ansiedade de conseguir uma nova colocação no mercado e da postura do próprio selecionador, outros fatores podem interferir no processo seletivo como, por exemplo, o local onde a entrevista é realizada. De acordo com a psicóloga da Horizonte RH, o ambiente precisa ser reservado para que o candidato não se sinta inibido e até mesmo para ele não seja ouvido ou observado por outros profissionais que também fazem parte daquela seleção. No entanto, há casos em que por não terem local apropriado, algumas empresas acabam entrevistando o aspirante ao cargo na própria sala de trabalho, onde a presença de outras pessoas é inevitável. Esse fato, dependendo da personalidade do candidato, pode causar certo incômodo, mas que pode ser contornado pela experiência do entrevistador.

“O ambiente ideal para um processo de seleção pede uma sala reservada, com boa iluminação, confortável, com uma decoração discreta e aconchegante. É importante que o selecionador não atrase o início da entrevista, para não aumentar a ansiedade que já faz parte do momento”, conclui Rosana Monteiro, ao lembrar que a espontaneidade, bem como o conhecimento das atividades do cargo que se está trabalhando, das personalidades esperadas e do currículo do candidato são fatores que influenciam significativamente o êxito da seleção.

Texto escrito por Patrícia Bispo

 

 

 

HR Hunter, Consultoria de Recursos Humanos do Rio de Janeiro, tem como expertise: Recrutamento e Seleção, Treinamento Comportamental, Plano de Cargos e Salários, Pesquisa de Clima e Coaching.